Ministério
de Desenvolvimento Social comunicou que não vai renovar parceria para construção
dos reservatórios
Após construir quase 372 mil cisternas no Nordeste, sendo 54,3 mil em
Pernambuco, o Programa Um Milhão de Cisterna pode ser desmontado. O Ministério
de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) comunicou, segundo a
Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), que não renovará a parceria iniciada
no governo Lula. O anúncio surpreendeu a ASA, que está à frente do programa e já
se articula com setores sociais e políticos para tentar reverter a decisão do
ministério. O fim da parceria vem sendo criticado por representantes da
sociedade civil e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
As
discussões, entre o MDS e a ASA, estavam adiantadas para a assinatura de um
convênio de R$ 120 milhões. Com a liberação dos recursos, pretendia-se construir
19 mil cisternas destinadas ao consumo humano e estruturar 8 mil empreendimentos
voltados à produção de alimentos. “Não houve, até quinta-feira passada, sinais
de que a parceria seria suspensa”, disse Naidison Baptista, coordenador do
Programa Um Milhão de Cisternas. O governo federal informou, segundo ele, que a
prioridade para a construção das cisternas passaria para as administrações
estaduais e municipais.
Essa
mudança, no entender de setores da Igreja Católica e da ASA, pode representar um
retrocessos no combate à seca no Nordeste. Isso porque a construção das
cisternas, esclareceu Naidison, tem sido ao longo dos últimos oito anos o ponto
de partida para a discussão de políticas públicas para a região. “Ela não
termina em si”, considerou. O bispo da Diocese de Caruaru, dom Bernadino
Marchió, acrescentou que a participação das vítimas da estiagem nesse tipo de
debate quebrou a lógica antiga da seca ser uma indústria controlados por setores
políticos. “Confesso que não entendi, a decisão do MDS. Sempre se defendeu a
participação popular e agora isso pode ficar comprometido”,
completou.
Famílias
Além
das quase 372 mil cisternas para consumo humano, a ASA construiu, em parceria
com a União, 9.499 cisternas para ações destinadas à produção de alimentos. Em
nota à imprensa, o MDS afirmou não ter rompido a parceria com ASA e que pretende
atender 750 mil famílias do semiárido até 2013. “Uma das prioridades do governo
é garantir que os brasileiros das áreas rurais tenham acesso à água para consumo
e para a produção de alimentos”, ressalta. Acrescenta que atingir esse objetivo
exige reavaliação e a ampliação das parcerias, o que inclui estados e
municípios, além de ministérios, órgãos públicos e organizações sociais.
Diário de Pernambuco

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