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5 de abr. de 2011

Pesquisa provoca redução drástica de inseticidas em parreirais de vinho - PERNAMBUCO

Resultado solucionará graves problemas fitossanitários enfrentados pela vitivinicultura da região.
Para conter a proliferação da praga traça-dos-cachos em parreirais de uva para vinho no submédio do vale do rio São Francisco, os pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) recorreram a artimanhas sexuais a fim de frustrar a procriação da espécie.
Fizeram isso, espalhando na área cultivada um produto que sintetiza o odor do hormônio feminino (feromônio), chamado tecnicamente de Splat Crypto. Aplicado em pontos diversos do pomar como pistas falsas da presença da fêmea, o produto induz tal confusão sexual que os insetos machos passam a voar desnorteados pelo pomar saturado com o cheiro do que poderia ser uma parceira. Desta forma não há acasalamento e a fêmea passa seu ciclo de vida sem se reproduzir.
Redução - Quando começou a executar o projeto Estratégias para o manejo integrado da traça-dos-cachos da videira, em janeiro de 2009, o engenheiro agrônomo José Eudes de Morais Oliveira, pesquisador da Embrapa Semiárido, garantiu que em armadilhas colocadas nas áreas infestadas podia-se contar até 700 desses insetos. Ao final do projeto, neste início de 2011, as quantidades encontradas caíram drasticamente para cerca de 4-5.
Um resultado dessa dimensão é quase a garantia de que se encontrou a solução para um dos mais graves problemas fitossanitários enfrentados pela vitivinicultura da região. Praticamente abre espaço para inverter a tendência registrada nos últimos anos da constante presença dessa praga – uma espécie de lagarta - e que tanto prejuízo tem causado aos parreirais de uva para vinho, afirma Eudes.
A redução drástica da população do inseto nas áreas pesquisadas foi obtida sem o recurso de qualquer dose de insumos químicos. ”A técnica empregada foi bem mais sutil e sem qualquer dano para o meio ambiente ou de risco de resíduos nas frutas que podem prejudicar a qualidade do vinho e a saúde humana”.
A forma de aplicação é curiosa: o pesquisador adaptou uma pistola de vacinar gado. Com ela, faz disparo no tronco da videira para deixar fixado o feromônio sintético. É tecnologia muito eficiente e que descarta a necessidade da aplicação de insumos químicos no parreiral.
Perdas – A grande diminuição na população da praga vai ter conseqüência na quantidade de insumos químicos utilizados para o controle da praga nas vinícolas. Nos pomares de uva para vinho, diferente dos parreirais da fruta para o comércio in natura, o manejo da planta não inclui o raleio dos cachos. Desta forma, os cachos bem compactados criam um ambiente protegido para a traça se alojar entre as bagas. Assim, é difícil o controle com inseticidas.
De acordo com Eudes, é expressivo o gasto com pulverizações de defensivos agrícolas nas vinícolas para controle dessa praga. Durante a execução do projeto da Embrapa, ele chegou a constatar aplicação desses produtos em intervalos semanais. Nesse ritmo, chega-se a fazer, em média, até dezoito pulverizações por ciclo (fase da poda à colheita) e trinta e seis por ano.
É muito, assegura. E nem por isso se conseguiu evitar perdas que variaram entre 40 e 60% dos frutos. Em alguns casos, onde a infestação foi mais intensa, toda a produção foi perdida. As lagartas se alimentam nos cachos. Assim, causam lesões nas bagas, isso favorece o aparecimento de fungos que causam doenças e inviabilizam a utilização dos frutos para processamento ou consumo in natura.
Quando o ataque da lagarta ocorre próximo à colheita, os danos provocam o rompimento das bagas que resultam no extravasamento do suco sobre o qual proliferam bactérias que provocam a podridão ácida. A conseqüência é a redução da qualidade dos vinhos ou depreciação dos cachos para o comércio in natura.
A tática recorrente entre os agricultores do uso descontrolado e abusivo de produtos químicos, alegando que o controle “preventivo” dessa praga pudesse minimizar os prejuízos por ela causados não deu bons resultados, garante Eudes.
Nacional – Embora a pesquisa tenha sido realizada no submédio do vale do São Francisco, em um ambiente de clima tropical semiárido, Eudes acredita que seus resultados possam ser empregados para orientar o manejo e controle da praga em outras regiões vinícolas do país, como o Rio Grande do Sul.
O projeto Estratégias para o manejo integrado da traça-dos-cachos da videira foi financiado pela Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco – FACEPE em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco e Embrapa Uva e Vinho.
 
Fonte: Embrapa Semiárido

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